quarta-feira, 13 de abril de 2011

PEREIRA Junior, Luiz Costa. A apuração da notícia : métodos de investigação na imprensa. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2006. P.67-91.

Este resumo trata do livro “A apuração da notícia: Métodos de investigação na imprensa”, de Luiz Costa Pereira Junior. O assunto discutido é retirado mais precisamente dos capítulos 3 e 4. O autor inicia citando o ocorrido em 11 de Setembro, nos EUA, enfatizando a maneira como os veículos de comunicação lidaram com o grande fluxo de informações desordenadas e como os rumores facilmente se tornaram fatos na tentativa de manter o público sempre informado.

Pereira Jr segue afirmando que a notícia é construída através da verificação, sobre o alicerce da procura de informações e que o ato de noticiar é selecionar fatos para organizar um sentindo e reduzir incertezas. Um dos desafios do repórter é procurar certezas em situações incertas. Ainda cita Ricardo Noblat, em A arte de fazer um jornal diário quando ele afirma que o jornalista dever apurar cada contradição entre as fontes disponíveis até que estas sejam descartadas e reste apenas um relato confiável.

O autor define que a conduta do jornalista deve ser baseada na busca incessante pela verdade, mas sem deixar de considerar evidências contrárias ou a pluralidade das versões possíveis. O que se faz necessário diante dessa conduta é a honestidade na apuração, o rigor na verificação, a desconfiança diante de toda fonte de informação.

O próximo ponto discutido é a inexistência de um método geral de verificação e comprovação da veracidade das informações recebidas, citando Bill Kovach e Tom Rosenstiel em Os elementos do jornalismo, quando afirmam a falta de consenso profissional quanto a critérios de checagem de informações. Isso é confirmado até mesmo pelo próprio cotidiano dos jornalistas, alimentado por realidades nem sempre verificáveis, constatações duvidosas, fatos sem testemunho etc. Por todas as dificuldades encontradas na sua realização, como a falta de tempo, o número reduzidos de funcionários em uma redação para apuração de um grande número de informações, o acesso fácil a dados sem investigações etc, é compreensível que o ato de investigar seja um saber acumulado empiricamente.

Pereira Junior afirma também que a apuração de informações implica uma determinada sequência de procedimentos. O passo importante é o planejamento da apuração que é demonstrado utilizando um resumo feito por Daniel Samper, em 1991, que inclui a Elaboração de Pauta (pista inicial + sondagem inicial + preparação da pauta), Pré-produção (análise das fontes + sequência de abordagem), Produção (confrontação de informações + Checagem) e Pós-produção.

PEREIRA JUNIOR, Luiz Costa. A apuração da notícia: métodos de investigação na imprensa. Rio de Janeiro: Vozes, 2006. P.67-91.

A partir do exemplo das coberturas jornalísticas do ‘11 de setembro’, Pereira Junior mostra erros cometidos devido à pressa de se publicar algo que fornecesse sentido para aquele atentado. Para o autor, a realidade não pode ser contada por inteiro, daí a necessidade de selecionar fatos para se organizar um sentido.

Em meio a tantas versões e dados duvidosos, o desafio do jornalista é encontrar evidências e certezas. Dar sentido aos fatos é apurar cada contradição de versões até eliminar as incoerências. O levantamento de informações dependerá do compromisso do repórter com a visão plural dos fatos, o que significa para Pereira Junior ter consciência de como é relativo o que se apurou e entender a necessidade de solidez que o destinatário tem.

Nunca se fizeram tão necessários o rigor na verificação, a honestidade na apuração, e a desconfiança diante de toda fonte, uma vez que falta consenso profissional quanto a critérios de checagem de informações. Em Os elementos do jornalismo, Bill Kovach e Tom Rosenstiel avaliam que pouco tem feito para desenvolver um sistema para testar a confiabilidade da interpretação jornalística.

Investigar requer tempo e esforço e se torna ainda mais difícil quando se tem uma redação enxuta e uma carga horária exaustiva. Diante destas dificuldades, é compreensível que o ato de investigar seja um saber acumulado empiricamente.

Um esquema geral apresentado por Daniel Samper, em 1991, serviu de ponto de partida para reflexão sobre o planejamento de uma apuração jornalística. Neste esquema consta uma série de etapas para investigação jornalística, cujos procedimentos foram divididos em quatro fases: elaboração da pauta; pré-produção; produção e pós-produção, sendo que a última não consta no presente capítulo.

Na fase de elaboração de pauta, se faz uma apuração preliminar, uma pesquisa prévia. Em seguida, para ajudar a organizar o que a reportagem quer demonstar, relaciona-se as informações já obtidas e as que ainda faltam. Na fase de pré-produção, as fontes são analisadas estrategicamente.

Segundo Nelson Traquina, os jornalistas usam alguns critérios para avaliar as fontes, como a hierarquia da autoridade, a quantidade e a qualidade de informação que determinada fonte pode fornecer, e a credibilidade, de modo que as informações cedidas por elas demandem o mínimo possível de controle.

Não há sistema de abordagem de fonte que seja infalível, para que pendências de informação sejam evitadas Pepe Rodríguez sugere ordens em que se deve manter contato com as fontes, são elas: ordem de importância, partindo da fonte de menor importância informativa para a maior, e ordem de crítica, onde se começa com as fontes desfavoráveis até chegar às favoráveis.

A fase de produção é o momento de o repórter detectar erros de avaliação da pauta e de checar informações, pois o levantamento e o rigor na checagem estabelecem a qualidade da informação.

PEREIRA JUNIOR, Luiz Costa. “Os métodos de apuração”. In: A apuração da notícia – Métodos de investigação na imprensa. Petrópolis, Ed. Vozes, 2006, p. 67-91.

Neste capítulo de A apuração da notícia – Métodos de investigação na imprensa, Luis Costa Pereira Junior inicia com uma retrospectiva acerca das posturas tomadas por alguns jornais paulistas em 11 de setembro de 2001. Visto que os atentados nos Estados Unidos causaram impacto em todo o mundo e não havia informações concretas, mesmo de fontes seguras, Pereira Junior afirma que “naquele 11 de setembro, rumores tomariam consistência de fatos” (p. 68). Foi uma ocasião na qual o jornalismo impresso brasileiro ficou restrito quase que totalmente a informações oriundas da televisão ou de agências internacionais de notícia.

É por meio desse exemplo que o autor introduz seu argumento de que noticiar é selecionar fatos para legitimar um sentido. “A notícia é construída no cuidado com a verificação, sobre o alicerce do levantamento de informações” (p.71), de modo que o jornalista não deve transferir dúvidas a seu público. Pereira Júnior afirma que o jornalista precisa apurar cada contradição entre as fontes, até que só exista um relato em que se possa confiar (p.72). Cada afirmação presente nas matérias deve estar, portanto, devidamente verificada e respaldada.

Num tópico intitulado “Incerteza e solidez”, o autor aponta que o levantamento de informações dependerá do compromisso do jornalista com a visão plural de cada acontecimento. A chamada visão plural seria a conjugação do nível de incerteza (a consciência de como os resultados são frágeis) e a necessidade de solidez das informações. O autor diz ainda que dessa forma, a conduta do jornalista só poderá ser a de quem busca uma única e exclusiva “verdade”.

Pereira Junior defende que os métodos de apuração nas redações não são universais ou padrões. “Os métodos são em geral informais e localizados, nem sempre generalizáveis e aprendidos por osmose, na base da tentativa e do erro, raramente transmitidos por editores ou faculdades” (p. 74), assinala. O autor ressalta que é necessário, ainda, que exista uma disciplina na verificação dos fatos, para minimizar os efeitos das incertezas jornalísticas. Para isso, deve ser feito um planejamento da apuração, a revisão do material apurado e a revisão das informações editadas.

Para o autor, o planejamento, que vai desde a elaboração da pauta até a pós-produção com a redação e produção visual da reportagem, facilitaria a apuração jornalística. E é neste tópico que se insere a análise estratégica das fontes, que busca abordá-las por vários critérios – a exemplo da ordem de importância e de crítica. Como exemplos de métodos da revisão do material apurado e das informações editadas (já no fechamento), Luís Costa Pereira Junior cita uma “lista de checagem”, que pode ser usada por alguns editores, e um sistema americano chamado de “edição ética”.

Por Thais Borges 

terça-feira, 12 de abril de 2011

Resumo de "A apuração da notícia"

Na tentativa de fornecer diretrizes para a atividade de apuração da notícia, Luiz Costa Pereira Júnior  exemplifica o caso dos atentados de 11 de setembro. Nesse episódio, os meios de comunicação brasileiros forneceram exagerados e diferentes números de vítimas, o que demonstrou uma falta de precisão no ato de verificar dados antes de noticiá-los.
Os jornalistas são  noticiadores dos fatos e por mais que a realidade não possa ser contada por inteiro, cabe a eles retratá-la da maneira mais coerente e precisa que houver. O que por vezes existe, é uma falta de rigor na apuração do que se noticia. O autor credita esse fato à ausência de mecanismos que regularizem a apuração, sem esquecer de enfatizar que fazer isso é realmente verter num caminho difícil, já que os jornalistas trabalham com realidades nem sempre verificáveis, fatos sem testemunho, histórias  plantadas e constatações duvidosas.
Na tentativa de suprir essa carência de métodos investigativos, o texto propõe um conjunto de procedimentos que começa com a formulação da pauta e se estende até o processo de edição da publicação. A elaboração da pauta se dividiria em sondagem inicial, onde as primeiras fontes e documentos seriam consultados ajudando no estabelecimento da viabilidade (ou não) da pauta. Feito isso, a pauta propriamente dita seria elaborada, baseada nas informações já obtidas e as que ainda irão se obter. A fase seguinte, chamada de pré-produção, iria demandar uma análise das fontes. Se elas tem credibilidade, um nível hierárquico considerável e se fornecem informações importantes. Nessa abordagem às fontes, deve-se obedecer uma hierarquia. Primeiro consultam-se as fontes de menor importância e mais próximas ao repórter. Depois são consultadas as fontes de média importância, que levarão aos envolvidos de fato no que está sendo investigado. Nem sempre essas pessoas querem se expor, por isso é importante chegar até elas com os relatos das fontes de menor e média importância, o que pode fazer com que esse envolvido se pronuncie ao jornalista.
Já consultadas as fontes, deve-se checar as informações obtidas, num processo em que o jornalista revisa o que foi coletado, confronta versões, ouve novamente arquivos de áudio, confere se não falta algum dado, só publicando o que foi checado.

Resumo - Luiz Costa Pereira Júnior

RESUMO

Livro: “A apuração da notícia – Métodos de investigação na imprensa”
Autora: Luiz Costa Pereira Junior
Parte do livro: Os métodos de apuração – Capítulo 3
Aluna: Nathália M. C. Mattos

O capítulo 3 do livro “A apuração da notícia” trata dos métodos utilizados para apurar a realidade que será noticiada. Para isso, apresenta teorias de autores que exemplificam como apurar a realidade, para que as notícias sejam confiáveis e os jornalistas consigam exercer os desafios da profissão.

O primeiro exemplo utilizado é o atentado ao World Trade Center, com a queda de um avião em Pittsburgh, na Pensilvânia, que desestabilizou o planeta. O exemplo vem ao caso, pois, o número de vítimas somente foi anunciado corretamente um ano depois do ocorrido. A Imprensa americana não conseguia ter esse domínio e para amenizar a imprecisão dos dados, algumas fórmulas eram utilizadas pelos jornalistas: “circulam rumores”, “tudo indica”.

Dessa maneira, cada veículo criou suas estratégias para relatar os fatos em meio a quantidade enorme de informação desordenada. Em alguns casos, como esse dos E.U.A, mesmo sem ter os dados mais precisos, a exatidão se torna menos importante do que a necessidade de relatar o que está acontecendo em alguma parte do mundo.

Um desastre, como o do World Trade Center, provou aos jornalistas que um relato humano e próximo pode ser mais importante do que a exatidão de dados numéricos. Os dados divulgados não eram reais ou falsos, eram os disponíveis naquele momento.

O autor afirma que no jornalismo construir sentido é reduzir incertezas. Na opinião dele o atentado de 11 de setembro deixou mais do que evidente que a busca pela “verdade dos fatos” é no fundo pela legitimação de um sentido.

Ele define o desafio do repórter como: o de encontrar evidências soterradas em camadas de versões, de procurar certezas, pois, segundo ele, o jornalista não é só testemunha daquilo que o leitor não pode ter acesso, ele é um processador das camadas verificáveis da realidade.

O que distinguirá os jornalistas são os critérios que não os deixarão serem levados por falhas de percepção, pela rotina produtiva e pelo engano das fontes.

Jean Baudrillard afirma que “na medida em que não é desmentida, uma notícia circula como provável”. Por isso, o cuidado deve ser redobrado nessa profissão de relatar fatos para a sociedade.

O jornalista tem a função de apurar cada contradição entre as fontes, até que a incongruência de versões seja descartada e reste só um relato em que se possa confiar. Deve ser feito um check list das informações, eliminando o que não for confirmado por mais de duas fontes, segundo a tradição de Washington Post.

O repórter deve ter compromisso com a visão plural que se conjuga de dois fatores: o nível de incerteza (a consciência da fragilidade dos resultados) e a necessidade de solidez (saber o quanto o destinatário deseja determinada informação para posicionar-se).

Alguns aspectos são destacados no capítulo como necessários durante a apuração: a honestidade, o rigor na verificação, a desconfiança diante de toda fonte de informação com que nos deparamos.

Para Pereira, a espinha dorsal do trabalho jornalístico é a apuração de informações e a investigação.

Já para os autores Bill Kovach e Tom Rosentiel, embora a profissão tenha desenvolvido várias técnicas e convenções para determinar os fatos, pouco tem feito para desenvolver um sistema para testar a confiabilidade da interpretação jornalística.

Alguns aspectos negativos do cotidiano do jornalista são enumerados: realidades nem sempre verificáveis, por constatações duvidosas, fatos sem testemunho direto, press releases farsantes, histórias plantadas, títulos criados antes da matéria existir, horários de fechamento curtos, Redações enxutas, profissionais sobrecarregados.

Dessa maneira, o autor afirma que o produto do trabalho jornalístico é sempre uma combinatória.

Investigar é caro, demanda tempo e esforço e a lógica dos investimentos é geralmente voltada para a modernização tecnológica e a infraestrutura, menosprezando muitas vezes a produção do conteúdo qualificado. Existem as tentações da era da internet que proporciona facilidade na obtenção de dados, sem que se faça a investigação, além das assessorias de imprensa que mastigam informações.

A apuração de informações implica em uma determinada seqüência de procedimentos, coincidentes em autores e jornalistas distintos. Existem três momentos em que se pode testar a disciplina de verificação adotada em uma reportagem: planejamento da apuração, revisão do material publicado e na revisão das informações editadas.

Resumo - Daniel Samper (1991) serve como uma espécie de roteiro:


Os passos da investigação jornalística

Fase 1: Elaboração de pauta
Pista inicial + Sondagem inicial + Preparação de pauta
Fase 2: Pré – Produção
Análise das Fontes + Seqüência da abordagem
Fase 3: Produção
Confrontação de informações + Checagem
Fase 4: Pós Produção
Redação + Produção visual da reportagem + Reserva de documentação




A elaboração da pauta é definida como a exploração das fontes, documentos e publicações. É obter uma base de informações, saber a credibilidade das fontes e estabelecer a viabilidade da pauta.

Sobre a ideia de pauta, afirma-se que toda reportagem tenta dar resposta a uma curiosidade ou lançar uma hipótese sobre a realidade. Pauta não é tema, não busca confirmar o que já se sabe. Pauta que é pauta define o rumo do trabalho, o ângulo, a escolha de uma ou várias nuances do que será apurado, o recorte da realidade, sob modo novo que será abordado a questão.

Já a pré-produção é apresentada como todo o processo de avaliação das fontes, a obviedade nem sempre óbvia de que os fornecedores de informação são pessoas e instituições que defendem seus interesses acima de tudo.

O capítulo traz também definições da hierarquia de autoridade, produtividade e credibilidade, como veremos a seguir.

Hierarquia de autoridade – fontes oficiais ocupam posições institucionais de autoridade que segundo Traquina, são ouvidas “mais pelo que se é do que pelo que se sabe’.

Produtividade – fontes institucionais fornecem material muitas vezes suficiente para uma notícia. A produtividade é a quantidade e a qualidade de informação que uma fonte pode dar.

Credibilidade – entrevistados que em outras ocasiões forneceram fatos confiáveis, tem maior chance de continuarem a ser acessadas pelo jornalista, até virarem fontes regulares.

O risco de privilegiar fontes por tais critérios é o da dependência dos canais de rotina. É preciso muito cuidado para não cair no círculo vicioso da hierarquia rígida entre as fontes de informação. Para evitar o ‘jornalismo declaratório’ que se satisfaz com depoimentos de celebridades, políticos e empresários.

Não há sistema de abordagem de fonte que seja infalível.

Para Pepe Rodríguez alguns tipos de abordagem podem auxiliar o jornalista:

• Abordagem por ordem de importância: repórter deve documentar-se ao máximo, abordar as fontes de menor para a de maior importância informativa, pois isso amplia o conhecimento que se tem do fato e permite que se chegue melhor preparado para as outras entrevistas.

• Por ordem de crítica: iniciar pelas fontes desfavoráveis, depois as neutras e por último as favoráveis, dará parâmetros mais equilibrados para a entrevista com as fontes favoráveis.

Já a Produção pode ser denominada como a validação das informações através de no mínimo duas fontes, pois, cada apuração abre novos vazios de informação a serem preenchidos por mais investigação.

PEREIRA Junior, Luiz Costa. A apuração da notícia : métodos de investigação na imprensa. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2006. P.67-91.

A cobertura de determinados jornais brasileiros ao ataque terrorista no World Trade Center, em 11 de setembro de 2001 serviu de laboratório para o jornalista Luiz Costa Pereira, autor do livro A apuração da notícia : métodos de investigação na imprensa, numa análise sobre apuração dos fatos.

O jornal Agora São Paulo estampou que 10 mil pessoas morreram no acontecido, a Folha, O Globo e Estadão noticiaram 6 mil vítimas, sendo que o número exato foi divulgado um anos depois: 3.025. Com tais exemplos, o ensaísta introdução o terceiro capítulo do livro, que mostra ao leitor os métodos utilizados para um jornalista não cometer erros no desenrolar de sua pauta. Depois da introdução, ele expõe declarações dos editores dos jornais citados, onde eles relatam como as notícias daquele fato que parou o mundo, eram conseguidas. Diz que as citações “circulam rumores” ou “tudo indica” eram encontradas constantemente nas reportagens daquele dia.

Fala sobre o papel do jornalista de organizar e escolher o que será noticiado. “A realidade não pode ser contada aos outro por inteiro, noticiar é selecionar fatos e organizar sentidos” (p.70). Enfatiza que o desafio do repórter é encontrar evidências soterradas nas camadas de versões, procurar certezas em situações de incerteza.O jornalista é remetido ao papel de processador de camadas, de investigador de outras versões, pois ele é a testemunha daquilo que o leitor não pode ter acesso. “A notícia é construída no cuidado com a verificação, sobre o alicerce do levantamento de informações” (p.71).

Sobre o rigor da apuração é dito que deve ser feita a partir de uma premissa muito simples: cada afirmação, só deve ser mantida depois de respaldada. Afirma que a conduta de um jornalista deve ser de quem busca uma única e exclusiva “verdade” e que não se deve acreditar piamente na boa-fé das fontes, pois podem mentir de propósito ou por acreditarem que estão dizendo a “verdade”.

A apuração é tida pelo autor como a espinha dorsal do trabalho jornalístico e que o ato de apurar envolve tanto a retórica quanto a ética e a técnica, pois o produto do trabalho é sempre uma combinatória.

Diz que investigar é caro, demanda tempo e esforço. Os jornalistas são tidos como vítimas dos manuais de jornalismo, cuja ênfase recai da pedagogia do estilo, não da apuração. Sofrem as tentações da internet, com o acesso fácil a dados sem que se faça investigação, e das assessorias de imprensa, que mastigam informação para Redações despovoadas e sobrecarregadas.

Disponibiliza três momentos para que se possa testar a disciplina de verificação adotada numa reportagem: 1. Planejamento de apuração, 2. Revisão do material apurado, 3. Na revisão das informações editadas.

O livro mostra uma esquematização em quatro fases, etapas que o jornalista deve seguir para uma boa linha de apuração. Esse quadro foi apresentado pelo colombiano Daniel Samper, em 1991. FASE 1 – Elaboração da Pauta; FASE 2 – Pré-Produção; FASE 3 – PRODUÇÃO e FASE 4 – Pós-produção.

ELABORAÇÃO DA PAUTA: A sondagem inicial: Segundo o autor é a apuração preliminar, a exploração das fontes, documentos e publicações, numa pesquisa prévia à formulação da pauta. A pauta propriamente dita: Pauta não é tema, é aquilo que será levado ao público sem que ninguém tenha pensado em fazê-lo ou percebido. Após a sondagem inicial, um bom apoio para a formulação da pauta é o plano de ação com o qual se espera obter informações e ajudar organizar o que a reportagem quer mostrar.

PRÉ-PRODUÇÃO: Análise estratégica das fontes: Segundo Traquina, os jornalista usam alguns critérios para avaliar as fontes: 1. Hierarquia da autoridade – dificilmente gerará desconfiança a informação dada por alguém de prestigio ou de alta posição social. 2. Produtividade – Fontes institucionais geralmente fornecem materiais muitas vezes suficientes para uma notícia, poupando tempo e esforço. A produtividade é a quantidade e a qualidade de informação que uma fonte pode dar. 3. Credibilidade - Fontes devem ser confiáveis que a informação fornecida por elas exige o mínimo possível de controle. Por fim fazer uma análise por ordem de importância e crítica do que foi recolhido como material.

PRODUÇÃO: Checagem da Informação: O jornalista não pode concentrar-se com apenas um (ou poucos) dos diversos aspectos possíveis da história. É preciso validar a informação com pleno menos duas outras fontes. O repórter não pode bancar uma afirmação sem confirmá-la. A pressa não é desculpa de má apuração.

Segundo o autor: “Uma reportagem pode nos contar muito sobre o trabalho que foi fazê-la. Assim que escrita, um editor pode fazer um tira-teima das informações apuradas e checar a validade do que é notícia” (p.88). Por fim, exibe uma lista de checagem com questionamentos que analisam o conteúdo do material feito. Exemplo: As informações do lide estão suficientemente respaldadas? As informações de pesquisa estão completas?

segunda-feira, 11 de abril de 2011

CAPUTO, Stela Guedes. “Sobre entrevistas: teoria, prática e experiências”. Petrópolis – RJ : Vozes, 2006. P. 59-68


Em determinado capítulo no livro mencionado no título, a autora faz uma breve lista descrevendo práticas importantes que um estudante de jornalismo ou um recém formado na área precisa saber para executar boas entrevistas. Tais técnicas, como ela mesma diz, são gerais, básicas, que se forem esquecidas podem causar grandes transtornos.

Segue abaixo um resumo das “Notas sobre entrevistas (ou 15 coisas que não podemos esquecer quando entrevistamos)” seguindo a divisão por tópicos do livro.

1. Pergunte primeiro se pode...

Gravar ou fotografar o entrevistado. Primeiro deve-se explicar o que é a entrevista e para onde é, depois tem que perguntar se pode fazer gravação, pois ele pode querer dar informações com sigilo, e devemos respeitar se ele não quiser ser identificado ou fotografado, perguntando logo depois o motivo da recusa.

2. Esteja informado sobre o entrevistado

É imprescindível que o jornalista esteja bem informado acerca do entrevistado, e não se devem desprezar nunca as informações do editor sobre o assunto. Assim, o ideal é ler os dados que o lhe foram passados e buscar mais outras, a internet facilita muito.

3. Faça um roteiro

O ideal é que antes das entrevistas o jornalista prepare um roteiro com algumas perguntas que julgue fundamentais, mas que não se prenda unicamente a elas, que deixe espaço para criar novas questões no decorrer da conversa.

4. 1, 2, 3 testando...

Jamais confie plenamente na tecnologia e SEMPRE verifique seu material antes da entrevista. Veja se têm pilha e fita no gravador, se as pilhas não estão gastas, se o aparelho está funcionando, se ele está gravando mesmo, se ele não parou de funcionar no meio da conversa, etc.

5. Na dúvida, senhor ou senhora

O caminho mais acautelado para evitar gafes é perguntar antes como o entrevistado ou entrevistada prefere ser tratado. Se a dúvida persistir, e o jornalista se sentir envergonhado de perguntar, melhor que use senhor ou senhora, pois passa a idéia de respeito e de pouca intimidade.

6. Ouça de verdade

Para uma boa entrevista é preciso que ocorra uma fidedigna conversa, um diálogo autêntico. Muitos jornalistas se atêm às perguntas que aprontaram e não prestam atenção à resposta do entrevistado porque estão ansiosos para fazer a outra pergunta.


7. Não dispute com o entrevistado

O jornalista deve pensar como o leitor e fazer as perguntas como se fossem eles, mesmo que já saiba as respostas. Assim como o entrevistador não deve aparecer mais do que o entrevistado. O fato é que pode ser apresentada uma questão a ele (o entrevistado) desde que não seja uma tese inteira, podendo expor o seu pensamento, mas lembrando sempre que não está entrevistando a si mesmo.

8. Não roube a idéia de ninguém

Não se deve fazer uma pergunta como se todo o conteúdo dela não tivesse referências além do seu conhecimento, ou seja, é necessário deixar claro as alusões e fontes com as quais construiu a entrevista.

9. Reconheça o limite

O jornalista deve buscar conseguir informações relevantes para a entrevista para que esta não fique sem sentido. No entanto, se o entrevistado se recusar a responder a uma determinada questão temos obrigação de voltar a ela, não esquecendo que não demos ser inconvenientes e mal-educados, nem usar de subterfúgios e truques para conseguir a informação. A transparência sempre é o melhor caminho para o diálogo.


10. Desconfie da memória

É melhor usar sempre um gravador, ele ajuda a ouvir o mais fielmente possível o que o entrevistado disse e evita transtornos. Além disso, em caso de entrevistados polêmicos o pequeno aparelho ajuda a provar que as informações publicadas são verdadeiras. O importante é anotar e não ter receio de perguntar novamente toda informação que julgar necessária.

11. Não invente ninguém

Se o jornalista perdeu suas anotações, pesquisas, gravações, etc., ele não pode inventar declarações e pessoas que não existem só para não levar bronca do editor. Portanto, deve manter a organização sempre para evitar este tipo de manobra indevida.

12. Tenha paixão

Para fazer boas entrevistas é preciso amar conversar com o outro e ouvi-lo. Amar a pesquisa, amar conhecer pessoas novas, amar um bom papo.

13. Pergunte por último...

“Tem alguma coisa que você gostaria ainda de falar?”. Essa pergunta é importante porque não é o entrevistador quem decide quando o jogo acaba, os dois devem estar de acordo, pois a entrevista precisa ser boa para ambos.


14. Escolha os temas e edite

Geralmente, quando fazemos uma escolha excluímos outra, ou várias, e o jornalista precisa tomar logo tais decisões. Apesar de ser uma tarefa difícil e dolorosa, a edição, em suas linguagens, é a arte de cortar bem o texto.

14.1 Organize os eixos

Quando há mais de um eixo na entrevista, o melhor a se fazer é separar os assuntos em blocos na hora da edição para facilitar para o leitor. E se na hora da entrevista o jornalista quiser voltar a um assunto já discutido pode usar o “voltando ao assunto...” sem problemas.

14.2 Eleja o título e olhos

Títulos são muito importantes e o jornalista deve saber fazê-lo. Uma boa idéia de título é uma boa frase dita pelo entrevistado entre aspas. Mas não é tão simples escolher a frase e nem é regra, é mais uma sugestão. Assim como o Olho, que é uma boa frase dita pelo entrevistado que queremos enfatizar além do título e pode ser mais de um.

14.3 Revise e publique

Na hora da transcrição e da edição podem aparecer inúmeros problemas, sendo muito comum o jornalista ter dúvida a respeito de uma palavra dita pelo entrevistado. Caso ocorra, deve ligar para o entrevistado e conferir. Mesmo que ele se sinta incomodado, vai gostar de saber que estão tentando ser fiel ao que disse em entrevista. Nas palavras da própria autora “A edição é o momento em que o jornalista tece, pinta, esculpe, é realmente um momento de arte. Aproveite esse momento, faça - o com prazer.”