segunda-feira, 25 de abril de 2011
SCALZO, Marília. Jornalismo de Revista. São Paulo: Contexto, 2004.
Saclzo lembra grandes revistas que marcaram o país como o Cruzeiro, Manchete e Realidade, mencionando ainda a atual revista mais vendida do Brasil, a Veja.
As revistas surgiram para ocupar uma lacuna entre o jornal e o livro, propondo-se a aprofundar mais nos assuntos que o primeiro e menos que o segundo e a sair periodicamente. Os moldes desse veículo foram sendo estabelecidos na prática: inicialmente, por exemplo, elas eram monotemáticas e depois passaram a abordar diversos assuntos. Com o tempo, porém, as revistas tenderam a estabelecer enquadramentos cada vez mais específicos.
A autora aborda as peculiaridades da revista, sendo a principal delas a relação com o leitor (algumas publicações têm inclusive serviço de atendimento ao leitor). Devido à diferente periodicidade, à facilidade em ser levada para qualquer lugar e às temáticas (que muitas vezes unem informação e entretenimento), as revistas se posicionaram de maneira singular, muitas vezes se tornando uma espécie de identificação dos seus leitores.
Apesar dessas características, a revista, assim como toda a imprensa, tem sofrido uma crise. Em um primeiro momento o enquadramento mais específico tem sido um caminho interessante a trilhar: “...é a velha máxima: é preciso falar com menos gente, para falar melhor” (p. 44). Enquanto as revistas sobre programação televisiva mantêm altos números de tiragens, temáticas voltadas à qualidade de vida, como saúde, forma física e filosofia ecológica, têm ganhado espaço nos últimos anos.
A Internet, primeiramente apontada como aquela que acabaria com os impressos, passou a ser enxergada de outra forma. A extensão digital desses veículos é hoje considerada essencial para a sua sobrevivência.
Scalzo caracteriza ainda o bom jornalista de revista - que como em qualquer outro veiculo jornalístico, deve apurar bem, ser honesto e prezar acima de tudo pela sua credibilidade, preocupando-se sempre com o que o leitor quer ler - e a boa revista, cuja equipe deve trabalhar em conjunto e harmonia. A autora ressalta a importância do designer e do fotógrafo em um meio no qual a imagem (as fotografias e infografias) tem elevada importância, sendo que esta deve dar clareza e valorizar o texto.
A ética no trabalho jornalístico é indispensável e no jornalismo de revista não é diferente. A relação muitas vezes tempestuosa com a publicidade deve dar lugar à compreensão da interdependência das tarefas e ao respeito mutuo. A publicidade não deve interferir no trabalho dos jornalistas e vice-versa.
Para concluir o livro, Scalzo relata sua experiência como redatora-chefe da revista Capricho na década de 90 durante um reposicionamento desse veículo. Neste, ela ressalta mais uma vez a importância da preocupação que o jornalista de revista deve ter com o seu leitor.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
SCALZO, Marília. Jornalismo de Revista. São Paulo: Contexto, 2004. (Coleção Comunicação)
O livro Jornalismo de Revista de Marília Scalzo faz trata sobre a história, a evolução e as características do jornalismo em revistas. Além disso, discute sobre a técnica e a ética jornalística nas revistas.
Scalzo defende a fusão de “entretenimento, educação serviço e interpretação dos acontecimentos” (p. 14) nas revisas. Contudo, mais importante do que essa união, as revistas precisam conhecer precisamente seu público, caso contrário vive pouco. Outra preocupação, segundo a autora, deve ser especificar o seu público, pois “quando atigem públicos enormes e difíceis de distinguir, as revistas começam a correr perigo” (p. 16).
O histórico das revistas é abordado no segundo capítulo. A primeira publicação que considera-se uma revista surgiu em 1663 na Alemanha e era sobre Teologia, mas ainda tinha um formato de livro e não usava essa denominação. O nome revista aparece em 1704 na Inglaterra, já o formato vem um pouco mais tarde em 1731 também na Inglaterra. O negocio das revistas surgem com o avança técnico da Indústria Gráfica. A primeira revista semanal de notícias só surge em 1923.
No Brasil, a primeira revista aparece em 1812 em Salvador. Em 1822 a revista “Anais Fluminenses de Ciência, Arte e Literatura” mostra uma nova preocupação da elite brasileira que, recém independente, precisava de engenheiros, médicos e outros profissionais liberais. Essa mudança leva ao surgimento 1ª revista especializada do país em 1827. No início do século XX há o lançamento de vários títulos que tratavam, na sua maioria, de variedades ou cultura. A partir da década de 1920, surgem revistas que obtêm grande sucesso editorial tais como “O Cruzeiro” (1928), “Gibi” (revista em quadrinhos de 1939 que tornou-se metonímia para o género), “Manchete” (1952), “Visão” (1952), “Realidade” (1966), Veja (1968).
Para Scalzo, o que diferencia as revistas dos outros meios é o contato com o leitor, escutá-lo periodicamente, observar o que ele lê e o que ele passa em cada edição. O tamanho também é um aliado, a revista pode ser transportada facilmente para qualquer lugar; a periodicidade que permite um texto mais profundo, crítico e analítico.
A autora coloca que o mercado de revista tem sofrido com a crise assim como todos os outros meios. A disputa por anunciantes tem abalado o modelo comercial tradicional, em que muito da receita da publicação vem dos anúncios. Investir nas classes C e D, que entraram no mercado consumidor com o Plano Real, tem sido uma estratégia usada por algumas editoras. Outras preferem dar um foco preciso às publicações, que ao falarem com públicos mais específicos tiveram êxito. Com a popularização da internet, pensou-se que ela poderia extinguir todos os outros. Isso se mostrou incorreto, hoje o que se acredita é que todos os veículos devem circular no seu suporte original e está na internet. Já em relação ao debate entre jornalismo e entretenimento nas revsitas, Scalzo é categórica: “recorrendo-se à história, o que se percebe é que o entretenimento (além da educação e do serviço) é uma das vocações mais evidentes do veículo revista, a partir de sua própria origem”.
Para a autora, um bom jornalista de revista é aquele que, em primeiro lugar, não escreve para si, pensa no que é relevante e importante para o leitor. Ela também defende que a especialização pode ser um problema, pois assim o jornalista pode deixar perder a noção de qual o nível de conhecimento do leitor sobre o assunto abordado. Já em relação à revista, como um todo, Scalzo afirma ser necessário seu projeto gráfico e editorial evoluam junto com o leitor; que a capa “precisa ser o resumo irresistível de cada edição”, pois é ela que vende a revista; as pautas precisam ser pensadas de acordo com a periodicidade, não adianta edições mensais apenas noticiar elas precisam analisar, o como de lead clássico é o que ser mais aprofundado; o design, as fotos e os infográficos são tão importantes quanto o texto, chamam o leitor para dentro a matéria; o texto sempre deve ter o tom certo para o leitor, isso depende do foco da revista.
Sobre a isenção e objetividade jornalística, a autora Admite que nenhum jornalista conseguirá ser totalmente objetivo nem isento devido a sua formação cultural, política, moral. Já com sobre a credibilidade do veículo e a sua relação com os anunciantes, o que envolve a redação e o setor comercial, Scalzo afirma que é papel desde último está em contato com a redação para saber das pautas da próxima edição e buscar anunciantes interessados. Qualquer ação mais invasiva do que essa, torna a relação complicada e conflituosa.
Para concluir o livro, a autora usa o exemplo da “Caprinho” para explicar, nas prática, as ideias apresentas no livro. Ela explana de forma geral as diversas mudanças que essa publicação passou até a década de 1990 e narra com detalhes com foi a sua experiência no processo de reposicionamento editorial da revista de 1990 a 1992.
Por Marcelo Argôlo
quarta-feira, 20 de abril de 2011
SCALZO, Marília. Jornalismo de revista/ Marília Scalzo. 2ª Ed. – São Paulo: Contexto, 2004 (Coleção Comunicação)
SCALZO, Marília. Jornalismo de revista/ Marília Scalzo. 2ª Ed. – São Paulo: Contexto, 2004 (Coleção Comunicação)
Através do relato histórico de como surgiu a revista, a autora, Marília Scalzo, traz em sua obra as características estéticas e como se deu a evolução, deste meio de comunicação, no Brasil e no mundo. O livro ainda diferencia como é fazer jornalismo em revista dos demais veículos de informação, considerando suas principais dificuldades e estratégicas para tal.
Antes de tudo, a autora ressalta que revista não é literatura, porém um meio em que se pode encontrar educação e entretenimento. Por outro lado, o jornal surge como repercussor da ideia política de trazer o esclarecimento através de suas notícias. No entanto, a autora afirma que as revistas também trazem exclusividade aos seus leitores e fazem jornalismo.
Na obra, a autora explica a aproximação que o leitor pode ter com o editor, por conta de se tratar de um grupo específico, o que não acontece na TV ou no jornal impresso, por exemplo. E aponta para o perigo existente, quando a revista se abre para um público expressivo, afinal, este veículo é um meio de comunicação de massa, mas nem tanto.
Scalzo relembra a história de grandes revistas que foram da ascensão à queda, como a brasileira Realidade e a norte-americana Life, vítima do seu próprio sucesso, o custo da sua impressão se elevou ao ponto dos anunciantes preferirem pagar pela propaganda na TV a própria revista. Além de outras que vingam até hoje, como a revista Veja.
A evolução da revista se deu através das grandes ideias apresentadas por seus editores. A exemplo da primeira revista ilustrada, a londrina Illustrated London News, editada até os dias atuais. Ou as revistas que tratam de apenas um assunto, como as voltadas para o mundo feminino, que foram copiadas e vendidas até hoje, a exemplo da Casa Claúdia.
Scalzo aborda no livro as diferenças entre a revista e os outros meios de comunicação, sejam elas na sua segmentação, na interação com o editor-leitor, além da sua forma estética. Há colecionadores que levam e trazem as revistas para lá e para cá, pode escolher a sua preferida, por saber qual o assunto em que cada uma trata. A autora ressalta que as revistas acompanham a tendência do seu tempo, da sua cidade, do seu país. A revista reflete o estilo de vida de um determinado local, tudo isso por conta da publicidade e o mercado consumidor.
O jornalismo feito em revista é analisado pela autora como o propósito de passar a notícia, porém de forma em que exista um atrativo a mais para prender o leitor, seja com imagens ou infográficos. Scalzo explica a diferença entre um jornalista de outros meios de comunicação e o de revista, como a forma da escrita, e o risco da especialização.
A autora explica por fim que para se obter uma revista de qualidade é preciso que o veículo se atualize de acordo com as mudanças que acontecem no mundo. É necessário deixar o leitor à vontade e ao mesmo tempo prender a sua atenção, com imagens, pautas bem definidas, edições atrativas e um bom editorial.
SCALZO, Marília. Jornalismo de Revista, Contexto, 2004.
Existem fatos a serem destacados desde o inicio das revistas, em 1663, até os dias atuais, como a primeira revista ilustrada, mostrada em Londres, em 1942, fazendo com que a partir daí todas as revistas trouxessem ilustrações em suas edições. Além disso, houve também o aparecimento das primeiras revistas semanais, em 1923, nos Estados Unidos.
SCALZO, Marília. Jornalismo de Revista, Contexto, 2004.
Como meio de comunicação, a revista consegue estabelecer uma relação contínua de confiabilidade por parte dos leitores, pois, historicamente, aquilo que é impresso, por ser palpável, torna-se mais próximo do real, mais verdadeiro. Além de toda essa questão de tornar verdadeiro, a revista se consagrou como um meio de comunicação que veicula informações mais completas, complexas. A periodicidade da revista torna possível desenvolver informações mais profundas, elaboradas. A consagração da revista não se dá somente por isso, a união de cultura e entretenimento é outro fator que agrega valor ao jornalismo de revista.
Outro fator que consagrou as revistas no histórico dos meios de informação foi a segmentação. Diferente de um jornal que fala para o público em geral, a revista fala pra um público específico, escreve diretamente para o "seu" leitor, trata-o por "você". A revista se constitui como um meio de comunicação de massa, mas com algumas divergências do demais. Quando falamos em comunicação de massa, costumamos remetê-la à um tipo de comunicação que atinge um público em geral. A revista não atinge um público em geral, mas diversos públicos, segmentados, "particularizados".
Como forma mostrar a evolução das revistas até os modelos e formas atuais, a autora traça um panorama histórico para que possamos entender como e porque surgem as revistas. Dentro desse panorama, a evolução das revistas no Brasil ilustra bem como esse meio de comunicação acompanha as mudanças sociais, políticas e econômicas do contexto em que está inserida.
Scalzo estabelece as diferenças entre a revista e os demais meios de comunicação. Além da questão, já citada, da segmentação, a autora analisa a importância de não somente tratar o leito de maneira particular, mas de saber ouvi-lo e se adaptar também às mudanças do seu público alvo. Nesse ponto fica clara a necessidade de estabelecer uma comunicação interativa, exemplos disso são o serviço de atendimento ao leitor, as pesquisas de campo e o espaço aberto às opiniões do mesmo.
O formato da revista é outro ponto que influencia na disseminação do veículo em relação aos demais meios impressos. O formato da revista é fácil de carregar, de guardar e de colecionar. A impressão e as imagens são outros fatores atrativos para o público. Existem até novos formatos, menores, que se tornam cada vez mais práticos no dia-a-dia cada vez mais atribulado da população.
O trabalho dos jornalistas inseridos na produção das revistas é diferenciado pela questão da periodicidade. Mais do que representar mais tempo para produzir e analisar um determinado assunto, o espaço de tempo que a revista leva para ser produzida exige dos jornalistas não somente a análise mais profunda dos fatos, mas também exige uma outra forma de exploração da notícia, de abordagem, diferente das que já foram veiculadas anteriormente.
O mercado das revistas acompanha a evolução da sociedade como um todo e, na era onde informação e propaganda valem ouro, o espaço das revistas passa a ser ferozmente disputado por propaganda, publicidade, informação e entretenimento.
Definir o que é um bom jornalista de revista não foge da definição básica de um bom jornalista. Independente do meio em que está inserido, o jornalista deve comungar de princípios e ações essenciais da profissão além de preocupar-se em desenvolver a cultura geral e ter uma visão crítica sobre o próprio trabalho.
A autora faz uma síntese do que é uma boa revista e dos elementos que a constituem como a capa, a pauta, o design, a ilustração, a fotografia, a infografia e o texto. Além disso, Marília faz uma abordagem sobre a ética no jornalismo de revista e mais uma vez mostra que esse é um princípio que deve estar presente em todos os meios de comunicação. A precisão, a objetividade e a isenção são fatores que devem fazer parte do cotidiano de todos os jornalistas que buscam o equilíbrio e a imparcialidade das notícias. Outro ponto importante, registrado pela autora, é a relação com a publicidade que nos dias de hoje não pode mais ser dissociada dos meios de comunicação em geral.
Scalzo finaliza o livro fazendo uma abordagem sobre sua passagem pela revista Capricho e, dentro desse contexto, fala sobre a evolução da revista, dos meios de comunicação, do contexto histórico, da adaptação da revista perante a todas essas mudanças e da formula que consagrou a revista Capricho como um ícone da Editora Abril.
Resumo: Jornalismo de revista – Marília Scalzo
O livro aborda todos os aspectos físicos, de conteúdo e de produção de uma revista.
Inicia-se com a funcionalidade e as relações que ela tem com o leitor: credibilidade, expectativas, idealizações, Eros, pedidos de desculpas, acertos, elogios, brigas e muito mais. Em seguida as funções desse meio de comunicação são definidas como de educação e entretenimento.
Como o foco principal de revista é no leitor, a medida que o público vai tornando-se maior, e de massa, a revista corre sério risco de falir por alto custo de impressão e publicidade.
A evolução das revistas, desde seu início em 1663 até os dias atuais também é retratada pela autora com exemplos nacionais e internacionais. Os destaques das evoluções são justamente o aparecimento da primeira revista ilustradas em Londres em 1842( a partir de então todas as revistas tem ilustrações), a primeira semanal, em 1923, nos Estados Unidos, chamada Time, as primeiras fotonovelas, na Itália, e as revistas de diversos gêneros cada vez mais específicos.
As segmentações das revistas dividem-se e inúmeros tipos, desde gêneros masculino e feminino, como idade, jovens, adultos, crianças, mais recentemente adolescentes, assim como profissões e hobbies. A diversidade tornou o leitor cada vez mais próximo da equipe de produção, que por sua vez tornou-se cada vez mais próxima entre si a fim de gerar matérias com maior qualidade e integração entre fotografia, design e texto.
Uma consideração relevante da autora ressalta que a descoberta e explosão de uso de meios de comunicação posteriores às revistas como rádio, televisão e internet podem sim, manter as vendas e a circulação das revistas e meios impressos ao contrário do que muitos pensam. O argumento é o seguinte: “a historia mostra que uma tecnologia pode substituir a outra, mas com os meios isso não acontece necessariamente.O que ocorre são ajustes e correções de rota.” Ou seja ocorre uma integração e convergência de meios que podem abordar o mesmo tema de formas completamente diferentes, já que segundo McLuhan “ O meio é a mensagem”.
Para finalizar a autora responde a pergunta “O que é um bom jornalismo de revista?” com a indicação de que deve haver o comprometimento do jornalista (apuração, compromisso com verdade, ouvir todos os lados, bom texto...), uma visão de mundo livre, cultura geral e um olhar crítico sobre o próprio ofício. A resposta do que é uma boa revista pode ser resumida contendo um bom plano editorial, uma missão e público alvo definidos. A produção de uma boa revista engloba, também, a parte técnica com capa bem selecionada, pauta apurada e com novos enfoques, design comunicativo e atraente, textos legíveis, linguagem visual adaptada à atualidade, bom posicionamento das fotos, além de uma excelente relação ética entre publicidade e jornalismo.
Thais Motta
SCALZO, Marília. “Jornalismo de revista”. São Paulo: Contexto, 2003.
Em “Jornalismo de Revista”, Marília Scalzo trata dessa modalidade do jornalismo, o de revista, passeando pelo seu significado dentro do campo da comunicação, pela discussão da sua problemática, sua história e o seu modo de produção.
A autora dedica um capítulo do livro em questão para tratar da historicidade do jornalismo de revista, desde seu surgimento até o período atual. Quando realmente foi ganhando destaque entre os leitores, a revista como modelo de leitura se encaixava entre os noticiários ligeiros e objetivos dos jornais e a profundidade dos livros, que eram vistos antigamente como produto de luxo dedicado ao deleite das elites. Tempos depois, as revistas passaram a ser vistas como um espaço aberto, onde diversos assuntos poderiam ser discutidos, provocando a circulação de diferentes informações e definindo-se como uma mistura de entretenimento e informação distribuída para o leitor. Divergindo da visão dos jornais, que eram associados a ideologias específicas, as revistas possuíam um caráter de complemento educacional, tratando de temas ligados à ciência e à cultura. Scalzo descreve o processo de transformação das revistas em um produto, um negócio, a partir do desenvolvimento tecnológico da produção que proporcionou um maior número de anunciantes e a diminuição do seu preço no mercado, facilitando, portanto, o acesso do leitor à publicação.
A autora expõe detalhes que passam despercebidos aos olhos do leitor de revista, discute os principais problemas dessa especialidade do jornalismo, além de citar o surgimento de revistas temáticas, direcionadas a públicos específicos, além do surgimento de modelos básicos de disposição de temas para uma leitura mais fácil.
Outro tema discutido no desenvolvimento do livro é a relação criada entre o jornalista de revista e o seu leitor, que muitas vezes é reconhecida como intimista, onde o jornalista fala diretamente com o seu público criando laços e desenvolvendo neste leitor uma relação quase passional com as publicações onde busca informação e entretenimento. O jornalismo de revista sabe ouvir o leitor e precisa entender e conhecer o seu público e, partindo desse pressuposto, construir uma linguagem e organização próprias que facilitem a leitura para esse leitor específico.
Dentro do livro é retratada a evolução histórica das revistas no Brasil, desde sal chegada ao país junto com a corte portuguesa, passando pelos modelos semanais ilustrados, sucessos editoriais da sua época, o surgimento do jornalismo investigativo até o contexto atual.
Scalzo também retrata os formatos específicos de uma revista, a influência da periodicidade na sua construção e organização da publicação e, como já dito anteriormente, a relação estabelecida entre o leitor e o jornalista, vista como fundamental. É destacada também a importância de uma apuração bem feita para a construção de um bom texto, dos princípios do jornalismo, passeando pela ética e pela responsabilidade social que esse tipo de veículo de informação assume.